Uma representante da Terra da Rainha

Na terra da rainha, do Sex Pistols, da pujante Londres, do british english, da esquina brilhante na Piccadilly Circus, dos pubs, dos “pint”… é aí que me refiro. Hoje nossa parada, como podem perceber, é na velha Inglaterra. Se fala muito na família real, troca de guarda, Parlamento, princesa Diana, David Beckham. Tá, mas e a cerveja? Faz um “top mind”, isto é, aquilo que vem primeiro a cabeça quando se fala em alguma coisa, com o amigo ou amiga aí do lado, e aí diz: INGLATERRA! A última coisa que você ouvirá falar é “cerveja”. A não ser que a parceria aí já esteve lá, porque quem já esteve lá… Cinco horas da tarde, e pub enchendo de gente já. Ah, a cerveja…

A missão de hoje, conforme citado antes, é inglesa, e no interior, uns 20km de Oxford (faz parte de Oxfordshire, ou Condado de Oxford), ali em Witney. Era uma vez uma cervejaria que fabricava dois ou três tipos de cerveja desde 1774, chamada Brakspear. Produziam lá sua cervejinha (lembre disso quando ler a última frase do post) com uma fórmula que define essa cerveja. Mas não é a fórmula da cerveja. Tá, também é. Mas o fato é que esses ingleses aí usavam um processo chamado “Double Drop” (dupla queda). A primeira, lógico, quando “caía” dentro do tanque de fermentação. E a segunda onde, do nível em que se encontrava a primeira, “caía” para outro tanque de fermentação. Poderia explicar mais sobre o processo, que é nessa queda que o sabor já tem um “up” e outras coisas mais, e que pronta a fermentação eles resfriam o líquido pra maturação e… chega!

O grande lance é a cerveja. My dear friend, ops, meu caro amigo, a cerveja… Bueno, analisar friamente, imparcialidade, essa é a missão! Para começar, cor avermelhada escura, puxando pra âmbar, ou rubi. O aroma. Bom, o aroma, quando as tampas vão para o ar, já é possível sentir, lembra frutas vermelhas (uva, framboesa), talvez um pouco de caramelo. O creme, que tem como cor um beje, começa volumoso, mas se esvai desde a servida. No sabor, início doce talvez do malte, mas com amargor do lúpulo (sim, e amargor do malte também). Uma mistura de frutas vermelhas com notas de caramelo, bem pouco adocicado. Pouca carbonatação, bom gás. Mesmo se tratando de uma prima da Tripel (a Brakspear é uma Old Ale), há bastante equilíbrio, o sabor é na medida certa. No retrogosto, permanece o combate doce X amargo, porém seco. O álcool, mesmo com os seus 7,2%, e sendo considerada pela cervejaria uma Tripel, nem pra coadjuvante serve.

Algum tempo atrás, uma cervejaria chamada Wychwood foi reformulada para receber um bom investimento, onde os donos restauraram a planta original da fábrica e resgataram aquele sistema de fermentação Double Drop, assim como todo o processo produtivo datado de mais de 250 anos. Esse dinheiro todo vem de um grupo maior, a Marston’s Beer Company, uma espécie de Ambev inglesa (mal comparando, pois o grupo focou em fabricar cervejas cada vez com mais qualidade, já por aqui…). Ta, mas e essa tal de Brakspear Tripel?

Sobre essa cerveja, é uma explosão de sabores. E numerada: garrafa 2013052. Check! Recorda que eu pedi para lembrar da última frase?  Só digo uma coisa: “God save the Queen”!

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Lucas Bueno (@buenolf) – Consultor de Cervejas Costi Bebidas Zona Sul

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